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Respuesta a una carta de Anna

Vecina querida Cuantas verdades en tu carta Verdades que laten Ciertas pero indemostrables Beethoven reducido a cenizas  Virtuales virtudes portátiles  Hay tanto miedo de incomunicación masiva hoy Que tejer una carta Como la que has tejido  Es un milagro  Casi un sacrilegio  Decíamos con Marco que Quizá haya tres arquetipos Poéticos El verso del diagnóstico, Brecht El verso del presagio de los profetas, digamos Dylan  Por hablar de un profeta Contemporáneo  Y el verso que habla Del misterio sugiriéndolo Desnudándolo sin desnudarlo Y aquí estamos, entre el ruido  Y el silencio Sufriendo el tiempo que Muerde y remuerde A nuestros pueblos  Somos pueblo El pueblo es el verbo  El cuerpo de cristo Eternamente crucificado  Eternamente resucitando El verdadero deseo Diría Buda Es el deseo no egoísta  El deseo abierto  Desear por todas...

Calor

Aqui o calor mata o peixe de sede, dice Ehre

Anna y los idiomas

Pienso en Anna Y pienso que el idioma De Brasil es selva Es mar Es río Ese idioma es un mundo Fluido Aquí en la Patagonia abunda El viento El nuestro es un idioma Disperso Los idiomas se alimentan De charlas de versos de Libros de cuerpos Somos Jonas en la panza Del idioma ballena Esperando a Godot o algún Otro milagro Pero el milagro es haber sido Devorados

três milhões de pessoas

"três milhões de pessoas me parece muito em poucos metros quadrados. isto é salvador", escribe Ehre apenas sol, viernes 3 de la tarde

Este não é um poema sobre trigo

Este não é um poema sobre trigo Este não é um poema sobre um útero transpassado não é um poema sobre fraturas nem sobre a dor que desenha cores impossíveis Este não é um poema sobre Frida Kahlo Este não é um poema até o enterrarmos até cada um dos nãos, sementes mortas, germinar um pássaro Este é um poema sobre pão ANNA EHRE *versión castellana: este poema no es sobre el trigo este poema no es sobre un útero perforado no es un poema sobre fracturas ni trata del dolor que dibuja colores imposibles este poema no es sobre Frida Kahlo este no es un poema que entierre a cada uno de los noes, semillas muertas, germen de pájaros este es un poema sobre el pan ANNA EHRE traditore: pablo a.g. ferro

a saga

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imagen vía: here “ Viver é negócio muito perigoso. ”  ― Guimarães Rosa "As pessoas não morrem, ficam encantadas" ― Guimarães Rosa O doutor disse: viver é negócio muito perigoso, a gente morre para provar que viveu. Ela respirou com os pés no meio-fio e as mãos contra o sol cega de ruas e muros. Era humana sólida e precária. Ele, incorpóreo e eterno, regurgitou o temor dizendo: perigoso é não viveres antes que a morte te deixe encantada. Ele, o tempo. EHRE ------ una saga El doctor dice: vivir es un asunto peligroso la gente se muere para probar que vivió. Respiró, equilibrista del cordón de la vereda, ciega por el sol de muros y calles. Ella: humana, frágil, paralizada. Él, eterno e incorpóreo, regurgitó el miedo diciendo: peligroso es no vivir antes que la muerte te arrebate. Él, el tiempo. EHRE traditore: pablo a. g. ferro

para posible Anna bilingüe # 1: Selfie

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comenzamos aquí una serie de traducciones, seguramente muy malas, que si llegan a gustarle un poquito a nuestra querida vecina Anna, podrían llegar a formar parte de un libro que acaso se llame: Anna bilingüe o, como ella sugirió: "dos vecinos y una ventana" si ella nos lo permite-- el siguiente poema se encuentra en su maravilloso blog EHREDITARIO ; transcribo el original, y luego la mala traducción--se aceptan todas las críticas, por cierto-- selfie diariamente pessoas sentam-se em uma bacia sanitária (outras não têm mais do que o chão) onde despejam dejetos de um corpo precário  resíduos do que foi no dia anterior a sálvia, a carne, a pimenta  o que antes era aroma sobre uma mesa agora desprende odores da acidez azeda e fétida que serão levados pela água de colônia e hidratante  (enquanto outros não reconhecem sabão) falta água falta privada mas sobram, em aparelhos móveis,  máquinas fotográficas  que registram os lábios ...

valquíria

tia elísia, a madrinha e a vizinha domênica como se conjugassem conselhos em ouro em pó despejavam sons no ouvido da menina: perder o ano perder a voz perder o trem perder o último eclipse a rosa dos ventos o inverno nos alpes o mar de recife o emprego o cabelo perder as calças tragédia grega não seria não pedem mais que um violino quanto a se perder por um par de olhos desconhecidos nem mesmo wagner  com dez mil cavalos sobre o peito e dois pés sem chão não amor é um pássaro amar, um voo entre surdos’ a menina, mantendo os olhos sobre as três mulheres mas o ouvido dentro do peito, repetia em silêncio nove palavras: amor é um pássaro amar seu voo ganhar asas Ehre

a dança

poemas são como canções  pedem para ser lidos muitas vezes a cada leitura o corpo    pen          de para um   la         do diferente Ehre

valentina

Contava cinco idiomas, um doutorado em epistemologia abrangendo a teoria da verdade e dezoito menções em índices onomásticos.  Ela e sua coleção de elefantes de vidro. Ele era incapaz desvendá-la. Guardava suas ignorâncias no caderno de notas em um vão da estante de pinho. Acima dos livros, os fios de cabelo emaranhavam outro mistério abandonado de explicação.   Ele, polido, letrado e metódico. Ela e todos os seus leões de chácara.   Amor não diz respeito a nenhuma lógica. Só um nome.  Ele o amava. Ehre

besos a la vecina ehreditaria

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poema insone

procurava o sono em cercas carneirinho pulando as horas   só só     só    só… a madrugada goteja os minutos em um vaso sem borda de manhã, em um par de olhos,  dois lagos cercado de grilos locutores incansáveis de um fugitivo Ehre

silêncio

“se o que tens a dizer não é mais belo que o silêncio então cala-te” jurou ter ouvido Pitágoras e achou bonito depois perguntou entre dois testamentos e uma coleção de sonhos perdidos - como calar o que diz a morte? Ehre

federico

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MAY 28TH AT 6PM  / TAGGED:  THE GOLD RUSH .  CHARLIE CHAPLIN .  1925 .  GIF . / 2,407 NOTES via: little plastic things ama as palavras, o poeta  e delas recebe os mesmos olhos  aos quais desnuda as inquietações sobre o azul desfeito,  o assombro entre os crisântemos,  a incerteza roída nas unhas  e o sol que não dorme não é palavra, a bala que o atravessa  é um desespero a duzentos metros por segundo  são os alba ensandecidos  é uma gramática violada em seu caderno, ‘revólver’ é um abraço de letras  que um desconhecido perverteu com a pronúncia mal acentuada  revolvam-se os equívocos  granada não é um explosivo  bala não é uma palavra  Ehre

o desconhecido

Era sexta-feira O homem se vestiu de branco e foi à igreja onde, aos pés do santo de sua devoção, fez três súplicas. Quando saiu, foi atropelado por um automóvel bêbado O condutor não conseguiu distingui-lo das listras da faixa de segurança. Colado ao asfalto seu rosto ainda parecia feliz assim como as flores que pôs no ofertório. O santo continuava no altar O automóvel havia fugido O corpo, no meio do caminho E o desejo? E o pedido? E o sonho? O homem. Ehre   cadernodenomes

umamanhã

Certa noite, ele pensou - com a firmeza de uma pedra -  que as estrelas eram lágrimas de uma lua triste Ela afirmava - com a insistência de uma nascente -  que eram bilhetes de um sol inquieto E não concordavam e estavam longe de ser “para sempre” Dias sobrevinham como um cão faminto  Noites em que viver era cavar um poço sem escavadeira  e acordar, sal e tamarindo Mas persistiam e perseveravam   com a paciência das águas e a renúncia das pedras  contornando os abismos da existência Certo dia, o sol enxugou as lágrimas  enquanto a lua - com a serenidade de um riso perene, - o acalmava Alguns dias são mais que ‘para sempre’   Ehre

as aves que aqui gorjeiam

minha janela tem palmeira mas não canta o sabiá às três e meia da madrugada um automóvel abre a boca  e cospe um funk carioca  deixando caer to’ el peso depois das cinco um pagode da ribeira, e um outro funk proibido aquilla saudade do exílio onde respeito é um fardo leve e o silêncio é uma canção possível Ehre

surdez móvel

O telefone de maçã é feito com estanho Na fila do mercado, uma mulher fala alto  no telefone de maçã feito com estanho Talvez para que todos saibam do telefone de maçã - um acontecimento em seu mundo pequeno e ordinário Na parte do mundo que é chamado de Ásia, crianças rasgam a terra em busca de estanho  com os pés descalços e as mãos arranhadas Elas não têm maçã ou telefone nem vão ao mercado  Ninguém pode ouvir quando choram baixo Ehre

sobre o azul de um futuro pretérito

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“ Khepri-Ra-Atum " by  Eugenia Loli . Diante da porta, erguendo muros  Diante do sol, gastando o interruptor  Diante do rio, enterrando barcos O medo é um bichinho pegajoso  que transforma as mãos em suor amargo  e o desejo  em luz exilada.   Às vezes,  indigência não diz respeito à falta  mas ao que é desperdiçado. Ehre **la poesía de Anna aquí también nos habita

remoinho

maihudson : Marina Abramovic and Ulay,  Relation in Time (1977) Duration: 17 hours This piece started without the public. Marina and Ulay tied their hair together, sitting back to back for 16 hours in the gallery, with only the gallery staff present. Each hour, three minutes of video was taken and they were photographed. After 16 hours, when their bodies were close to total exhaustion, the public was invited to enter. Marina and Ulay wanted to know how they could use the energy of the public to push their limits even further. They performed for the public for one more hour, for a total performance time of 17 hours. Courtesy Marina Abramović Archives (via  7knotwind ) O vento quando sonha é brisa. Esquece a dívida que a cidade tem com os jardins, as pessoas anônimas e os logradouros rendidos. - A criança mascava chiclete à falta de leite   enquanto o corpo da mãe germinava uma lápide Os muros seguem seu curso,  contraindo as nossas mãos e imit...